Imagine que você é proprietário de uma empresa, possuindo empregados que foram contratados na base de indicações e companheirismo. Comparado com seus competidores, sua empresa tem um desempenho sofrível devido à falta de competência desses empregados. Apesar disso, o mercado oferece novas oportunidades de crescimento. O que você faria, sabendo que somente as empresas mais bem preparadas e com desempenho superior sobrevivem? Continuaria com a mesma estratégia, ou contrataria novos empregados baseado no mérito e na competência?
Esse questionamento nos leva ao conceito de meritocracia (do latim mereo, merecer, obter). Estritamente falando, um sistema de governo baseado na habilidade (mérito) em vez de riqueza, posição social ou favorecimento. As posições hierárquicas são conquistadas com base no merecimento, com predominância de valores associados à educação e à competência. No questionamento feito, os mais adequados, os melhores e os mais bem preparados deveriam ser os escolhidos. Portanto, o mercado de trabalho procura encaixar, em cada emprego, o trabalhador mais adequado, aquele que apresenta maior mérito.
Podemos fazer uma analogia com a teoria de Charles Darwin, autor de A origem das espécies. Na teoria de Darwin, a sobrevivência de determinada espécie ficava na dependência da relação entre as características geneticamente herdadas e o meio. É a seleção natural que “escolhe” quem sobreviverá, gerando descendentes, e quem desaparecerá. Os indivíduos com as melhores características e mais bem adaptados ao meio é que conseguiriam sobreviver e passar sua boa carga genética para seus descendentes.
Nesse contexto, a palavra mérito adquiriu uma conotação pejorativa de “Darwinismo Social”, usada para descrever sociedades extremamente competitivas onde a meritocracia significa uma sociedade que designa a posição de um indivíduo baseada na competição selvagem. Nela, somente os vencedores merecem, de fato, uma boa posição social e riqueza. O mérito se resumiu a inteligência com esforço.
Pode-se argumentar que as regras de nossa sociedade são arbitrárias, devendo ser seguidas por todos. O mérito fica para quem, dentro das regras estabelecidas, tiver melhor desempenho. Nesse caso, a meritocracia premia quem tem, para a mesma regra arbitrada, para as mesmas condições ofertadas, uma vantagem competitiva. A adoção da meritocracia com justiça, longe dos conceitos pejorativos de “Darwinismo Social”, e da verdadeira democracia só é possível quando existe honestidade, caráter e bons hábitos de valorização dos méritos.
Cabe a cada um de nós, conhecendo as regras estabelecidas, buscar sua vantagem competitiva. E essa vantagem começa com a educação. A força bruta foi substituída pelo conhecimento. Estamos na sociedade da informação e conhecimento. Temos que incentivar e dar condições iguais a todos para que iniciem, desde a infância, o processo de desenvolvimento das competências e habilidades individuais. Sem educação, o indivíduo não conseguirá se sobressair, não terá mérito nenhum na sociedade atual, ficando marginalizado.
As condições ambientais igualitárias têm que ser fornecidas pelo governo, pois nem todos possuem condições para pagar por uma boa educação. Se todos tiverem acesso à educação de qualidade, restará a cada indivíduo se esforçar para que desenvolva suas habilidades, sua vantagem competitiva em relação aos outros e tenha seu próprio mérito para conquistar seu espaço dentro da sociedade meritocrática. Assim a sociedade progride.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Assinar:
Comentários (Atom)
