sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Paracatu, rio bom.


Paracatu, rio bom na língua tupi, é o quinto município mineiro em extensão. Situada na região noroeste de Minas Gerais, conta hoje com aproximadamente 83.000 habitantes. Sua história começa no final do século XVI quando, segundo o historiador Antônio de Oliveira Mello, a região noroeste de Minas foi visitada por diversas bandeiras, dentre elas a de Domingos Fernandes (1599) e a de Nicolau Barreto (1602-1604).


Em 1722, Tomás do Lago Medeiros recebeu a patente de Coronel de Paracatu, tendo o direito de guadamoria e o privilégio de distribuição das datas de terras desta região do Arraial de São Luiz e Sant'Anna das Minas do Paracatu. O ouro não havia sido descoberto, mas a região já era conhecida e havia a expectativa da descoberta de metais preciosos por ali. Em 1744, os bandeirantes Felisberto Caldeira Brant e José Rodrigues Frois comunicaram à coroa o descobrimento das minas do vale do Paracatu.

Após período de grande crescimento devido ao ouro, o antigo arraial foi eregido em Vila por alvará régio de D. Maria, rainha de Portugal, de 20 de outubro de 1798, atendendo a consulta do Conselho Ultramarino. Pertencia à Comarca do Rio das Velhas com sede em Sabará e passou a denominar-se Vila do Paracatu do Príncipe. Segundo a Revista do Arquivo Público Mineiro, no ano de 1800 a vila possuia ao todo 17450 habitantes, sendo 1935 brancos, 6335 mulatos livres, 3637 negros livres e haviam 327 mulatos cativos e 5216 negros cativos.


A efêmera riqueza logo se dissipou e o declínio produtivo do ouro aluvial provocou a decadência econômica da vila. Dos tempos de glória, a cidade conservou duas igrejas construídas no século XVIII, que abrigam uma grande coleção de imagens sacras dos séculos XVIII e XIX. A cidade retomou seu crescimento com base na agropecuária e viveu uma efervescência cultural no século XIX. Desta época ainda existe um conjunto arquitetônico com características particulares e um interesse por todos os tipos de manifestações artísticas e culturais.

Em meados do século XX, com a construção de Brasília, a região tomou novo impulso e Paracatu beneficiou-se da sua situação às margens da BR040. A transferência da capital federal para o interior do país já havia sido sugerida durante o período monárquico por José Bonifácio de Andrada, que apontou como ideal a localização da comarca de Paracatu. A modernidade chegou trazendo inúmeras transformações, que vão desde um incremento da economia até uma mudança de mentalidade que inclui novos valores, nova arquitetura e novo estilo de vida. Com uma agricultura altamente mecanizada, produção cultural e uma vocação para o turismo histórico e ecológico, a cidade tem muito a oferecer aos visitantes. São muitas grutas e cachoeiras existentes no município que merecem admiração. Como morador recente da cidade, recomendo, para quem gosta de uma boa prosa e de belas paisagens, uma estada no "Rio Bom". Até a próxima postagem.
.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

São João del Rei, terra querida.


Olá, internautas.

Hoje quero falar sobre minha querida cidade natal, São João del Rei.

O Arraial Novo do Rio das Mortes, que deu origem à cidade, foi fundado entre 1704 e 1705. Porém, a região já era ocupada desde pelo menos 1701, quando Tomé Portes del-Rei se estabeleceu na região do Porto Real da Passagem (hoje nas proximidades dos bairros de Matozinhos em São João del-Rei e Porto Real em Santa Cruz de Minas).

Entre 1707 e 1709 o Arraial se tornou um dos palcos da Guerra dos Emboabas, um conflito armado que também alcançou vastas regiões de Minas Gerais: principalmente as do Rio das Velhas (Sabará), Rio das Mortes (São João del-Rei) e Vila Rica (Ouro Preto). A guerra aconteceu pelo direito de exploração das recém descobertas jazidas de ouro, na região das Minas Gerais. O conflito contrapunha, de um lado, os desbravadores vicentinos, que haviam descoberto a região das minas e que por esta razão reclamavam a exclusividade de explorá-las; e de outro lado um grupo heterogêneo composto de portugueses e imigrantes das demais partes do Brasil – pejorativamente apelidados de “emboabas” pelos vicentinos –, todos atraídos à região pela febre do ouro.

Em 8 de dezembro de 1713 o arraial alcançou foros de Vila com o nome de São João del-Rei, clara homenagem a D. João V. Em 1714 passa a ser a sede da recém criada Comarca do Rio das Mortes.

O ouro, a pecuária e a agricultura permitiram o desenvolvimento e progresso da vila, elevada à categoria de Cidade a 8 de dezembro de 1838. Ainda no século XIX, contava com casa bancária, hospital, biblioteca, teatro, cemitério público construído fora do núcleo urbano, além de serviços de correio e iluminação pública a querosene.

Desenvolve-se, ainda mais, com a inauguração em 1881 da primeira seção da Estrada de Ferro Oeste de Minas, que ligava as cidades da região a outros importantes ramais da Estrada de Ferro D. Pedro II. Em 1893 a instalação da Companhia Industrial São Joanense de Fiação e Tecelagem traz novo impulso à economia local, a tal ponto que a cidade é novamente indicada para sediar a capital de Minas Gerais. Em junho do mesmo ano, o Congresso Mineiro Constituinte aprova, em primeira discussão, a mudança da capital para a região da Várzea do Marçal, subúrbio de São João del-Rei. Mas, numa segunda discussão, o projeto inclui Barbacena e também Belo Horizonte, um planalto localizado no vale do Rio das Velhas, onde existia o antigo Arraial do Curral del-Rei.

Com a escolha da região do Curral del-Rei em dezembro de 1893, a importância econômica de São João del-Rei diminui gradativamente. Mas a cidade não perde seu charme colonial, sendo motivo de atenção dos modernistas brasileiros, que a visitam em 1924. Ela é registrada na obra de algumas das figuras mais representativas do movimento, como a pintora Tarsila do Amaral e o escritor Oswald de Andrade. Em 1943 seu acervo arquitetônico e artístico, composto por importantes edificações civis e religiosas, é tombado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Sphan.

Saí pequeno de minha querida São João del-Rei, mas lembro-me de muitos momentos de minhas férias na casa de "seu" Vasiquinho (meu avô Washington), como a famosa semana santa, os carnavais, as viagens de trem para Tiradentes, banhos de ducha nas Águas Santas, os passeios com os primos na Casa de Pedra e muito mais. Só mesmo quem vivenciou esses momentos sabe da energia que a cidade emana, e como ela seduz quem se deixa levar pelos seus encantos.

Até a próxima postagem.

Abraços a todos.

Ronaldo Diláscio



segunda-feira, 28 de setembro de 2009


Olá, seja bem vindo!

Criei esse espaço para troca de idéias e conhecimentos que seja de interesse de todos os que compartilham os mesmos pensamentos.

Abraços.

Ronaldo Diláscio