quinta-feira, 8 de abril de 2010
Educação, base para a meritocracia
Esse questionamento nos leva ao conceito de meritocracia (do latim mereo, merecer, obter). Estritamente falando, um sistema de governo baseado na habilidade (mérito) em vez de riqueza, posição social ou favorecimento. As posições hierárquicas são conquistadas com base no merecimento, com predominância de valores associados à educação e à competência. No questionamento feito, os mais adequados, os melhores e os mais bem preparados deveriam ser os escolhidos. Portanto, o mercado de trabalho procura encaixar, em cada emprego, o trabalhador mais adequado, aquele que apresenta maior mérito.
Podemos fazer uma analogia com a teoria de Charles Darwin, autor de A origem das espécies. Na teoria de Darwin, a sobrevivência de determinada espécie ficava na dependência da relação entre as características geneticamente herdadas e o meio. É a seleção natural que “escolhe” quem sobreviverá, gerando descendentes, e quem desaparecerá. Os indivíduos com as melhores características e mais bem adaptados ao meio é que conseguiriam sobreviver e passar sua boa carga genética para seus descendentes.
Nesse contexto, a palavra mérito adquiriu uma conotação pejorativa de “Darwinismo Social”, usada para descrever sociedades extremamente competitivas onde a meritocracia significa uma sociedade que designa a posição de um indivíduo baseada na competição selvagem. Nela, somente os vencedores merecem, de fato, uma boa posição social e riqueza. O mérito se resumiu a inteligência com esforço.
Pode-se argumentar que as regras de nossa sociedade são arbitrárias, devendo ser seguidas por todos. O mérito fica para quem, dentro das regras estabelecidas, tiver melhor desempenho. Nesse caso, a meritocracia premia quem tem, para a mesma regra arbitrada, para as mesmas condições ofertadas, uma vantagem competitiva. A adoção da meritocracia com justiça, longe dos conceitos pejorativos de “Darwinismo Social”, e da verdadeira democracia só é possível quando existe honestidade, caráter e bons hábitos de valorização dos méritos.
Cabe a cada um de nós, conhecendo as regras estabelecidas, buscar sua vantagem competitiva. E essa vantagem começa com a educação. A força bruta foi substituída pelo conhecimento. Estamos na sociedade da informação e conhecimento. Temos que incentivar e dar condições iguais a todos para que iniciem, desde a infância, o processo de desenvolvimento das competências e habilidades individuais. Sem educação, o indivíduo não conseguirá se sobressair, não terá mérito nenhum na sociedade atual, ficando marginalizado.
As condições ambientais igualitárias têm que ser fornecidas pelo governo, pois nem todos possuem condições para pagar por uma boa educação. Se todos tiverem acesso à educação de qualidade, restará a cada indivíduo se esforçar para que desenvolva suas habilidades, sua vantagem competitiva em relação aos outros e tenha seu próprio mérito para conquistar seu espaço dentro da sociedade meritocrática. Assim a sociedade progride.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Paracatu, rio bom.
Em 1722, Tomás do Lago Medeiros recebeu a patente
de Coronel de Paracatu, tendo o direito de guadamoria e o privilégio de distribuição das datas de terras desta região do Arraial de São Luiz e Sant'Anna das Minas do Paracatu. O ouro não havia sido descoberto, mas a região já era conhecida e havia a expectativa da descoberta de metais preciosos por ali. Em 1744, os bandeirantes Felisberto Caldeira Brant e José Rodrigues Frois comunicaram à coroa o descobrimento das minas do vale do Paracatu.
Após período de grande crescimento devido ao ouro, o antigo arraial foi eregido em Vila por alvará régio de D. Maria, rainha de Portugal, de 20 de outubro de 1798, atendendo a consulta do Conselho Ultramarino. Pertencia à Comarca do Rio das Velhas com sede em Sabará e passou a denominar-se Vila do Paracatu do Príncipe. Segundo a Revista do Arquivo Público Mineiro, no ano de 1800 a vila possuia ao todo 17450 habitantes, sendo 1935 brancos, 6335 mulatos livres, 3637 negros livres e haviam 327 mulatos cativos e 5216 negros cativos.
A efêmera riqueza logo se dissipou e o declínio produ
tivo do ouro aluvial provocou a decadência econômica da vila. Dos tempos de glória, a cidade conservou duas igrejas construídas no século XVIII, que abrigam uma grande coleção de imagens sacras dos séculos XVIII e XIX. A cidade retomou seu crescimento com base na agropecuária e viveu uma efervescência cultural no século XIX. Desta época ainda existe um conjunto arquitetônico com características particulares e um interesse por todos os tipos de manifestações artísticas e culturais.
Em meados do século XX
, com a construção de Brasília, a região tomou novo impulso e Paracatu beneficiou-se da sua situação às margens da BR040. A transferência da capital federal para o interior do país já havia sido sugerida durante o período monárquico por José Bonifácio de Andrada, que apontou como ideal a localização da comarca de Paracatu. A modernidade chegou trazendo inúmeras transformações, que vão desde um incremento da economia até uma mudança de mentalidade que inclui novos valores, nova arquitetura e novo estilo de vida. Com uma agricultura altamente mecanizada, produção cultural e uma vocação para o turismo histórico e ecológico, a cidade tem muito a oferecer aos visitantes. São muitas grutas e cachoeiras existentes no município que merecem admiração. Como morador recente da cidade, recomendo, para quem gosta de uma boa prosa e de belas paisagens, uma estada no "Rio Bom". Até a próxima postagem.
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009
São João del Rei, terra querida.

Olá, internautas.
Hoje quero falar sobre minha querida cidade natal, São João del Rei.
O Arraial Novo do Rio das Mortes, que deu origem à cidade, foi fundado entre 1704 e 1705. Porém, a região já era ocupada desde pelo menos 1701, quando Tomé Portes del-Rei se estabeleceu na região do Porto Real da Passagem (hoje nas proximidades dos bairros de Matozinhos em São João del-Rei e Porto Real em Santa Cruz de Minas).
Entre 1707 e 1709 o Arraial se tornou um dos palcos da Guerra dos Emboabas, um conflito armado que também alcançou vastas regiões de Minas Gerais: principalmente as do Rio das Velhas (Sabará), Rio das Mortes (São João del-Rei) e Vila Rica (Ouro Preto). A guerra aconteceu pelo direito de exploração das recém descobertas jazidas de ouro, na região das Minas Gerais. O conflito contrapunha, de um lado, os desbravadores vicentinos, que haviam descoberto a região das minas e que por esta razão reclamavam a exclusividade de explorá-las; e de outro lado um grupo heterogêneo composto de portugueses e imigrantes das demais partes do Brasil – pejorativamente apelidados de “emboabas” pelos vicentinos –, todos atraídos à região pela febre do ouro.
Em 8 de dezembro de 1713 o arraial alcançou foros de Vila com o nome de São João del-Rei, clara homenagem a D. João V. Em 1714 passa a ser a sede da recém criada Comarca do Rio das Mortes.
O ouro, a pecuária e a agricultura permitiram o desenvolvimento e progresso da vila, elevada à categoria de Cidade a 8 de dezembro de 1838. Ainda no século XIX, contava com casa bancária, hospital, biblioteca, teatro, cemitério público construído fora do núcleo urbano, além de serviços de correio e iluminação pública a querosene.
Desenvolve-se, ainda mais, com a inauguração em 1881 da primeira seção da Estrada de Ferro Oeste de Minas, que ligava as cidades da região a outros importantes ramais da Est
rada de Ferro D. Pedro II. Em 1893 a instalação da Companhia Industrial São Joanense de Fiação e Tecelagem traz novo impulso à economia local, a tal ponto que a cidade é novamente indicada para sediar a capital de Minas Gerais. Em junho do mesmo ano, o Congresso Mineiro Constituinte aprova, em primeira discussão, a mudança da capital para a região da Várzea do Marçal, subúrbio de São João del-Rei. Mas, numa segunda discussão, o projeto inclui Barbacena e também Belo Horizonte, um planalto localizado no vale do Rio das Velhas, onde existia o antigo Arraial do Curral del-Rei.
Com a escolha da região do Curral del-Rei em dezembro de 1893, a importância econômica de São João del-Rei diminui gradativamente. Mas a cidade não perde seu charme colonial, sendo motivo de atenção dos modernistas brasileiros, que a visitam em 1924. Ela é registrada na obra de algumas das figuras mais representativas do movimento, como a pintora Tarsila do Amaral e o escritor Oswald de Andrade. Em 1943 seu acervo arquitetônico e artístico, composto por importantes edificações civis e religiosas, é tombado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Sphan.
Saí pequeno de minha querida São João del-Rei, mas lembro-me de muitos momentos de minhas férias na casa de "seu" Vasiquinho (meu avô Washington), como a famosa semana santa, os carnavais, as viagens de trem para Tiradentes, banhos de ducha nas Águas Santas, os passeios com os pri
mos na Casa de Pedra e muito mais. Só mesmo quem vivenciou esses momentos sabe da energia que a cidade emana, e como ela seduz quem se deixa levar pelos seus encantos.
Até a próxima postagem.
Abraços a todos.
Ronaldo Diláscio

